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Cliente não pagou a semijoia: como cobrar sem perder a cliente

A parte dura primeiro: no consignado, a peça saiu e o acerto vence de qualquer jeito. Quem fica no prejuízo é você, não a marca. Por isso cobrar bem importa.

Atualizado em Leitura de 6 minutos Por Rozza Joias, semijoias desde 2022

A parte dura, primeiro

No consignado, a peça que saiu entra no seu acerto. Se a cliente não pagou, você continua devendo aquele valor à marca no fechamento do ciclo. O prejuízo não é dividido: ele é seu.

Não é maldade do modelo, é a natureza dele: a marca te entregou a peça e você a entregou para outra pessoa. Quem escolheu confiar foi você. Por isso a melhor cobrança é a que não precisa acontecer, e a segunda melhor é a que acontece cedo.

A escada de cobrança, em quatro degraus

Suba um degrau por vez, com intervalo. Pular direto para o último queima a relação e não acelera o pagamento.

Degrau 1, entre 2 e 3 dias após o combinado. Tom de lembrete, sem cobrança.

"Oi, [nome]! Tudo bem? Passando só pra lembrar do colar, que ficou de cair hoje. Se precisar de mais uns dias me fala que a gente ajeita 😊"

Degrau 2, uma semana depois. Agora com data.

"Oi, [nome]! Sobre o colar: meu acerto com a marca fecha dia [data] e eu preciso repassar esse valor. Consegue me acertar até lá? Se ficar apertado, dá pra dividir em duas vezes."

Degrau 3, depois do acerto vencido. Aqui você já pagou do próprio bolso, e pode dizer isso.

"[nome], preciso ser sincera com você: o acerto venceu e eu paguei essa peça do meu dinheiro pra não ficar em falta com a marca. Não quero que isso vire um problema entre a gente. Me diz o que dá pra fazer, mesmo que seja um valor por semana."

Degrau 4, encerramento.

"[nome], vou parar de te cobrar por aqui. Quando puder resolver, me chama que eu te atendo numa boa. Só não vou conseguir deixar peça com você antes disso, tá?"

Por que o degrau 3 funciona

Porque ele troca "você me deve" por "eu já paguei". Deixa de ser dívida abstrata e vira dinheiro que saiu do bolso de uma pessoa conhecida. É o degrau que mais resolve, e é o que mais gente tem vergonha de usar.

As quatro regras que evitam o próximo

  1. Registre no momento em que a peça sai. Nome, peça, valor, data combinada. Sem registro, a conversa vira memória contra memória.
  2. Defina um teto por pessoa. Uma peça por vez para quem ainda não pagou a anterior. Simples e não ofende ninguém.
  3. Prefira Pix na entrega. Entregar e receber no mesmo momento elimina a maior parte do problema. Parcelar no cartão também resolve: o risco passa para a operadora.
  4. Peça para prova não é venda. Anote separado, com data de devolução combinada. "Levar pra mostrar em casa" é o caminho mais comum para uma peça sumir sem nunca ter sido vendida.

E a regra que resume tudo: fiado é crédito que você concede com o seu próprio dinheiro. Conceda para quem você concederia um empréstimo, porque é exatamente isso.

Quando aceitar o prejuízo

Chega um ponto em que insistir custa mais do que o valor. Três sinais de que chegou:

  • Três degraus subidos e nenhuma proposta de pagamento, nem parcial.
  • A pessoa parou de responder.
  • Você está pensando naquilo mais do que o valor merece.

Nesses casos, assuma a perda, registre o nome e não deixe peça com aquela pessoa de novo. Uma peça perdida é caro; uma cliente virando processo mental de meses é mais caro ainda.

Vale lembrar que dívida entre pessoas existe mesmo sem contrato e sem nota, e cobrança judicial é possível. Só que para valores pequenos o custo de tempo raramente compensa, e essa é uma decisão sua.

Perguntas frequentes

Cliente não pagou a semijoia, quem assume o prejuízo?
No consignado, a consultora. A peça que saiu entra no acerto com a marca e o valor vence no fechamento do ciclo, tendo a cliente pago ou não. Por isso a prevenção vale mais do que qualquer técnica de cobrança.
Como cobrar uma cliente atrasada sem perder a venda?
Suba uma escada de quatro degraus, com intervalo entre eles: lembrete leve em dois ou três dias, cobrança com data uma semana depois, conversa honesta dizendo que você pagou do próprio bolso e, por fim, encerramento educado.
Devo vender semijoia fiado?
Fiado é crédito que você concede com o seu próprio dinheiro, então trate como empréstimo. Se for fazer, defina um teto por pessoa, registre a peça e a data combinada, e não deixe uma segunda peça com quem ainda não pagou a primeira.
O que fazer quando a cliente para de responder?
Depois de três tentativas espaçadas sem nenhuma proposta de pagamento, encerre a cobrança de forma educada, assuma a perda e não deixe peça com aquela pessoa novamente. Insistir além disso costuma custar mais em tempo do que o valor da peça.
Dá para cobrar judicialmente sem nota fiscal?
Dívida entre pessoas existe mesmo sem contrato formal, e a cobrança judicial é possível. Para valores pequenos, no entanto, o custo em tempo raramente compensa. Registrar a entrega por escrito, nem que seja por mensagem, ajuda em qualquer cenário.
Sem custo, sem compromisso

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